É um fio que me separa das coisas que ainda não vivi. As coisas são belas, e estão como dejetos por todas as partes. Ah, como são belas as coisas sujas, porcas e banais... Coisas e coisas. As coisas continuam sendo apenas coisas, pois as coisas são coisas quando não sabemos nem o nome, nem o sabor, nem o sobrenome. Que coisa! Ah ah... que coisa.
Não sei se escrevo, não sei se durmo. Não sei se vivo, não sei se morro. Que coisa, essa cisma minha de me perder dentre as palavras, de querer envenenar-me num copo de coisas. São tantas coisas, meu Deus, e isso há de me matar! Não consigo, nunca conseguirei deixar de respirar as coisas, e das coisas fiz minha religião (cegando-me coisadamente.).
Algo causou minha coisificação. Que trágico! Que cênico! Virar coisa de uma coisa, e de outra coisa, e assim, viciosamente. O mundo em que vivo, virou uma bola de sebo que rola e rola, grudando em si mais e mais coisas. Que dor, que funeral... Tu não vês, mas eu ouço o que as coisas querem fazer comigo. Eu sinto o cheiro maligno e vicioso de coisas que se assemelham a cocaína, influenciando-me a suicidar minhas ideias, minhas roupas, valores e valores dos quais já tenho poucos.
As coisas me julgam, desejam fazer de meus dias uma eterna escravidão delas mesmas, e eu como um cachorrinho as permiti por muito tempo fazer de mim seu experimento favorito. A dias penso acerca de meu comportamento sistemático e coisificado. Ando doente, espirrando pelas ruas de minha cidade toda a imundície que impregnou em meus pulmões. O tempo corre e meu diagnóstico só tende a piorar. Os anos passam e eu hei de morrer sem nome e sem humanidade, porque querem me transformar em uma coisa qualquer. E como uma coisa, hei de sumir.