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coisificação

É um fio que me separa das coisas que ainda não vivi. As coisas são belas, e estão como dejetos por todas as partes. Ah, como são belas as coisas sujas, porcas e banais... Coisas e coisas. As coisas continuam sendo apenas coisas, pois as coisas são coisas quando não sabemos nem o nome, nem o sabor, nem o sobrenome. Que coisa! Ah ah... que coisa.
Não sei se escrevo, não sei se durmo. Não sei se vivo, não sei se morro. Que coisa, essa cisma minha de me perder dentre as palavras, de querer envenenar-me num copo de coisas. São tantas coisas, meu Deus, e isso há de me matar! Não consigo, nunca conseguirei deixar de respirar as coisas, e das coisas fiz minha religião (cegando-me coisadamente.).
Algo causou minha coisificação. Que trágico! Que cênico! Virar coisa de uma coisa, e de outra coisa, e assim, viciosamente. O mundo em que vivo, virou uma bola de sebo que rola e rola, grudando em si mais e mais coisas. Que dor, que funeral... Tu não vês, mas eu ouço o que as coisas querem fazer comigo. Eu sinto o cheiro maligno e vicioso de coisas que se assemelham a cocaína, influenciando-me a suicidar minhas ideias, minhas roupas, valores e valores dos quais já tenho poucos.
As coisas me julgam, desejam fazer de meus dias uma eterna escravidão delas mesmas, e eu como um cachorrinho as permiti por muito tempo fazer de mim seu experimento favorito. A dias penso acerca de meu comportamento sistemático e coisificado. Ando doente, espirrando pelas ruas de minha cidade toda a imundície que impregnou em meus pulmões. O tempo corre e meu diagnóstico só tende a piorar. Os anos passam e eu hei de morrer sem nome e sem humanidade, porque querem me transformar em uma coisa qualquer. E como uma coisa, hei de sumir.

Sustenido

Estava a andar pela rua, cujo nome é o mesmo da sua cidade. A chuva forte que caía, não me impedia de fumar estrategicamente o cigarro branco. Já era noite, e as casas começavam aos poucos a acender as lâmpadas amareladas, mesmo que umas hesitavam de vergonha o seu brilhar.
Num bairro deserto caminhei, dando a mínima para os buracos do asfalto que agora estavam completos de uma água marrom. Em um deles pisei em falso, molhando minha calça e meus pés, o que em um milésimo de segundos pareceu engraçado para quem antes tinha humor. Eu não sorri, muito menos praguejei alguma palavra que na minha infância levaria um tapa na boca, simplesmente chacoalhei as pernas como um cachorro e segui.
(Cantarolava aquela música, que tu me perguntaras se eu sabia de cor. Menti dizendo que não, pois tinha vergonha de mostrar o meu desafinado tom, mas o passar das horas foi me deixando desnuda de vergonha e assim eu comecei a cantar, dentro do ritmo e sem harmonia. Ríamos na mesma sintonia das nossas vozes se entrelaçando como quatro pernas amantes. Ríamos de um momento que sabíamos que seria digno de recordar. E assim, se deu.)  Fui cantando pela rua e remetendo em minha mente essa imagem sonora que nunca canso de ouvir, até a razão pedir para parar. Todos que passavam juravam que eu era uma espécie de demente, que estava a fumar desnuda musicalmente, sem vergonha de se molhar. Estava num grau de ombros acima do normal. Até eu estranhei, esse meu eu.
Continuava a dar voltas e voltas em ruelas que já havia passado, e o cheiro de gordura das casas estava a me enjoar. Andei procurando o que eu sabia que nunca iria encontrar aqui, nesse espaço geográfico, mas eu, tola, não perdia as esperanças. Passei novamente pela placa com o nome de tua cidade, e ao lado dela permaneci por um bom tempo. Fechei os olhos e deixei a chuva me penetrar, se diluindo entre o chorinho que insistia em sair de mim, e entre o riso falso que saltara em minha cara. Nem eu sei porque sorria, muito menos porque estava parada ao lado de uma placa, debaixo de uma chuva cortante. De olhos fechados eu encontrei o que  procurava, e sentia o cheiro que tantas vezes grudou em minha roupa. Estávamos juntos abraçados no colchão azul, a gargalhar pelas cócegas feitas por nossos pés. Assim eu sorria  ao sentir que  estava onde deveria realmente estar, e que a vida, por mais amarela que seja, é injusta com os que morrem de saudade de quem o coração não pode esquecer.

Tic-Tac

 A gente vai ficando velho, caduco, talvez experiente. O crescer da barba, os fios de neve denunciando a cabeleira negra e as pintas marrons espalhadas na cara, retrata o chegar dos tempos. A gente vai vendo os filhos partirem mundo afora, os netos a quebrar os móveis, os pais a seguirem outro rumo paralelo, tudo num eterno silêncio.
Ontem mesmo, na primavera de alguma década amarelada, estávamos a rir de coisas adolescentementes banais, e o sabor da liberdade era pior que um vício qualquer. Debaixo de uma árvore, sob a luz do sol a arder qualquer vida terrestre, encontrávamos preguiçosos a suspirar sobre o que poderíamos fazer para matar o tédio. Nenhuma solução a não ser dormir.
Virando páginas e mais páginas, percorrendo as folhas já arrancadas do calendário, as vidas são eternos moinhos que se chocam e transformam-se em uma mistura homogênea. Assim, eu expliquei para o meu filho a origem da terra. Talvez assim deva ser a origem do amor, essa traiçoeira matéria abstrata que nos corrói doloridamente gostoso por dentro. Ah, o doce amor... Quem me deras ser poeta para retratar as peripécias dos bobos apaixonados, ou a forma poética das cartas dos desiludidos de amor. Pena que minha morosidade não permite.
As horas estão a passar, e os dias a diminuir minhas energias. Já não aguento mais o sol quente, meus joelhos não me permitem correr, minha eterna namorada está concretizada no lado direito vazio da cama. Não reconheço mais todos os rostos das fotos antigas. Já não me lembro do nome do meu poeta favorito. Estou a perder os poucos fios da minha cabeça. Meus olhos estão brancos como o de um cachorro velho.
A gente vai ficando velho, caduco, e com o passar do tempo, experientes, até chegar o momento da pilha do relógio acabar.

Antes, tudo era matéria
Forma viva do real
Mas seus olhos desafiaram a física
E até a ciência
E tudo em que eu cri até então
Não tinha mais razão
Nem tampouco fé
Quando me olhou
Com olhos de quem doma
Tudo que era matéria
Se desfez em desmatéria
E tomou a branda e dura forma da inexistência
Até o que era
Tornou-se não ser
E o que vivia
Tornou-se, não morte
Mas desvivência
Do verbo desviver
Mais ou menos como eu seria sem você
Tudo desviveria
Casa, rua e fábrica
Automóvel, televisão,
Calças e sapatos,
Mesas, cadeiras,
Prédio e avião
Até o construção
Desviveria no toca disco
Fazendo desviver o som
Desconstruindo tudo ao redor
Propagando em meus ouvidos o silencio
O eterno silencio da desvivência


Resposta ao desviver


Hoje aparentas o desviver
quem sabe não seja tão ardente a brasa no peito
que sentirias, ao partir.
Quem sabe... Nada sei
Só sei que tenho medo de desviver
De desconstruir o constução
De salivar pelo tempero da memória
De deitar no silêncio
e desviver, mesmo estando em vida
ao pensar, que não estarás mais deitado sobre o meu peito.
minhas mãos desviverão ao perder as suas no vento
e nesse caminho interminável seguirei tonta
pelas sarjetas desconhecidas
Se eu ver, tu, de costa e de mala
partindo, esquecendo, mudando, vivendo
ali sentirei que desvivi
e que nunca mais retornarei a essência do verbo viver


Alegoria dos significantes

Angela Batista, 19. Tenho todos os anos do mundo, ao qual não sinto necessidade de revelar. Aprecio sorrir para um gato na rua, molhar-me junto com meus cadernos na chuva, rir quando é para chorar e sofrer quando tenho que sofrer. A arbitrariedade da vida me fascina, assim como o cheiro dos pés de laranjeiras. Sem rodeios, sem discurso poético, seja bem vindo, as minhas alegorias.

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