Era dia de alegria na cidade e eu sabia disso. Antes de chegar ali, eu fiz questão de pegar meu melhor chapéu e de calçar meu sapato novo para quem sabe, riscar na gafieira. Eram dez da manhã e o sol ardia em minhas pernas. As alegorias se preparavam para o ultimo dia de luxúria. Os meus olhos corriam pelas veredas sem pressa e sem ânsia. Apenas corriam pelo asfalto. As horas passavam e eu continuava sentado na cadeira amarela, esperando que as mesmas se transbordassem em um mar de álcool e que ali mesmo eu me sucumbisse. Estava com pressa de me elevar ao cume, e de lá, observar tudo o que me rodeia. Aquela mesa foi suficiente para eu comprar a minha passagem de ida e ali mesmo poetizar as iras da minha vida. Fui passista de muitas alas. Ah, como eu fui... E agora tudo se resume em meros confetes sujos de terra. Eram dez da manhã e o sol ainda ardia meus pés. A cerveja já tinha esquentado, mas eu não ligava. Não ligava para mais nada, além do que eu estava a esperar. Esperei por tempos, e por horas e por segundos. O vai e vem de cervejas me deixou zonzo o suficiente para fazer um pedido de Chico. A banda tocou de sorriso amarelo, e logo fiz questão de botar meu choro pra sambar lá em Moscou. O chorinho foi e voltou trazendo notícias de Nina. Pensei nela durante os goles bruscos de caos enquanto o cordão e a Banda estava a passar... Todos se foram e eu fiquei a escrever os pensamentos em um papel de pão. Rasguei-o e voltei a delirar. Eram oito da noite quando o garçom pediu para eu me retirar.