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Poesia de bar pontual

Era dia de alegria na cidade e eu sabia disso. Antes de chegar ali, eu fiz questão de pegar meu melhor chapéu e de calçar meu sapato novo para quem sabe, riscar na gafieira. Eram dez da manhã e o sol ardia em minhas pernas. As alegorias se preparavam para o ultimo dia de luxúria. Os meus olhos corriam pelas veredas sem pressa e sem ânsia. Apenas corriam pelo asfalto. As horas passavam e eu continuava sentado na cadeira amarela, esperando que as mesmas se transbordassem em um mar de álcool e que ali mesmo eu me sucumbisse. Estava com pressa de me elevar ao cume, e de lá, observar tudo o que me rodeia. Aquela mesa  foi  suficiente para eu comprar a minha passagem de ida e ali mesmo poetizar as iras da minha vida. Fui passista de muitas alas. Ah, como eu fui... E agora tudo se resume em meros confetes sujos de terra. Eram dez da manhã e o sol ainda ardia meus pés. A cerveja já tinha esquentado, mas eu não ligava. Não ligava para mais nada, além do que eu estava a esperar. Esperei por tempos, e por horas e por segundos. O vai e vem de cervejas me deixou zonzo o suficiente para fazer um pedido de Chico. A banda tocou de sorriso amarelo, e logo fiz questão de botar meu choro pra sambar lá em Moscou. O chorinho foi e voltou trazendo notícias de Nina. Pensei nela durante os goles bruscos de caos enquanto o cordão e a Banda estava a passar... Todos se foram e eu fiquei a escrever os pensamentos em um papel de pão. Rasguei-o e voltei a delirar. Eram oito da noite quando o garçom pediu para eu me retirar.

Alegoria dos significantes

Angela Batista, 19. Tenho todos os anos do mundo, ao qual não sinto necessidade de revelar. Aprecio sorrir para um gato na rua, molhar-me junto com meus cadernos na chuva, rir quando é para chorar e sofrer quando tenho que sofrer. A arbitrariedade da vida me fascina, assim como o cheiro dos pés de laranjeiras. Sem rodeios, sem discurso poético, seja bem vindo, as minhas alegorias.

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