Com quinze anos de idade, eu ainda estava no meu fundamental. Andava atenta pelos corredores do colégio, na procura da minha droga vital. Era ele o sopro que faltava para o sol poder brilhar na minha face, e aquecer todas as artérias do meu corpo. Meu coração pulsava como o bum-bum do sambista, e eu, era a porta-bandeira da minha esperança. Era ele o responsável pelo tremer das minhas pernas, pelo afagar do meu peito. Era ele o responsável pelo perfume doce de primavera, pela sandália rosa, pelos mimos no cabelo. Ele era meu, nos muros da escola, esses mesmos muros que denunciavam as nossas iniciais entrelaçadas em um coração feito de corretivo. E foi a mesma pessoa, que eu amei durante anos e anos, que quebrou meu coração, ao se desfazer da cartinha perfumada, sem ao menos lê-la.
O tempo passa, mas as histórias continuam as mesmas. Os personagens mudam, e o cenário também, mas o final, esse permanece intacto, como uma rocha flácida. Quando crescemos, tentamos buscar nas rodas de rodapé alguma explicação para a roda-viva, e sortudos são aqueles que entendem o significado da vida.
Estamos predestinados a amar, a procurar no outro a cobertura perfeita para aquele bolo que esfria na janela. Nossos corações, desde quando ainda estamos em formação, já está destinado a bater forte ao entrelaçar das mãos com aquele que se designa a metade de nossa alma. E eu pensei, na minha doce adolescência, que tivesse encontrado a cobertura da metade da minha alma.
Hoje, eu permaneço em minha casa, recordando dos meus amores juvenis, do qual nunca desfrutei mordê-los. Era sempre algo surrealístico, com fantasias e beijos logo após meu corajoso aqueu me salvar de alguma encrenca. Sempre fui uma criança muito criativa para meus devaneios amorosos, e agora, eu sofro de tédio para imaginar alguma história do gênero, até por que duvido da existência dessa tal cobertura e desse tal gênero.
Se eu tivesse um mundo, a lei primordial deveria ser amar e ser amado. Tolice minha, mas para muitos, de corações quebrados, aprovariam e sambariam alegremente se isso, realmente fosse verdade. A gente assiste um filme na tevê, e se imagina nas mesmas situações e depois perguntamos a si mesmos se teremos uma história melhor pra contar. Enquanto isso não acontece, meu coração bate inquieto e desesperançoso, na procura de algumas respostas acerca do meu dom infalível de moer meu coração.
Aos meus quinze anos de idade, período de espinhas, diários, cólicas e puberdade, eu me perguntava até quando minhas mãos bailarão sozinha ao vento. Até quando, teria de comprar esparadrapos para colar os cacos internos a mim. Até quando, os olhos perdidos denunciariam a procura da cobertura de minha alma. Até quando? São questionamentos que até hoje, tento responder com minhas quase duas décadas. Talvez, eu nunca ache uma resposta, talvez, eu encontre o que me esquente, mas por enquanto, o amor, esse amor que você sente por alguém, para mim, é coisa de tevê.