Meus olhos fadigados olham uma velha parede repleta de
fotos. Um velho papel amarelado, com dimensões exatas. Algumas ainda estão boas,
outras, eu não consigo reconhecer o conteúdo que nela está sendo apresentado. Estou mentindo. As fotos não estão amareladas, o brilho do papel ainda está
preservado. Vejo nitidamente cada cena, cada sorriso. Cada abraço, mas meu coração bate vacilante, mas vacilante ao ver que
muitos, ou melhor, alguns, voaram como andorinhas em busca do seu próprio
destino.
Eu observo. Os rostos, as expressões, os sentimentos. Começo a relembrar dos momentos em que essas fotografias foram tiradas. Um
breve momento de euforia toma meu coração, mas a realidade da perda é mais
forte. O jogo continua, a bebida acaba, um entra, outros saem e eu permaneço intacta, sentada no mar observando ao longe esse tango argentino, que é viver.