A gente assiste uma notícia na tevê, e do nada a nossa pele se arrepia ao sentir a dor dos relatos. Era uma noite a se comemorar como qualquer jovem faz. As meninas calçaram seus melhores saltos e com cuidado fizeram suas maquiagens; os meninos escolheram suas melhores roupas e o melhor perfume para curtir a noite. Uns pegaram táxis, outros talvez foram de ônibus, outros com o próprio carro. E lá, no mesmo lugar se reuniram para festejar com aqueles que eles designam de amigos, parceiros. Companheiros de vida.
Universitários prestes a seguirem a profissão de suas vidas, estavam todos lá a dançar, como se somente aquele minuto bastasse para serem felizes. Eu fico imaginando esses pequenos quadros em minha mente, e logo um rascunho de 245 vidas toma o meu ser.
Remeto-me às minhas lembranças de todas as vezes que saí para dançar, como se aquela fosse a última noite da minha vida. Tomava um banho, vestia roupa nova e passava um batom nos lábios. Ao término, sempre ganhava um elogio do meu amigo e uma dica para trocar de salto, pois aquela cor não combinou com o vestido. Ficava eu, pronta, esperando os meninos decidirem que roupa usar e qual perfume passar, e eu, sempre previsível, escolhia o perfume favorito. Depois de prontos, tirávamos uma foto para registrar aquele momento e partíamos para a festa que nos esperava, e lá, dançávamos com toda a força de um jovem. Ficávamos no aguardo de tocar a música tema da nossa amizade, e quando isso acontecia, nossos olhos se encontravam no meio da pista, e com o envolver dos nossos braços cantávamos até o nosso peito explodir. E assim, cansados, voltávamos para casa suados depois de satisfazermos a alma com uma noite extasiante.
Agora eu penso que naquela balada, eu, estudante de letras poderia estar com meu amigo economista, com meu amigo publicitário e tantos outros dançando naquela pista como sempre fazemos em todas as noites. Poderia nós, termos dançado pela última vez We found love. Poderíamos nós, naquele lugar termos caído como folhas secas. Poderia... Penso na minha vida depois desse fato lamentável. Meus olhos denunciam a tristeza da minha alma ao pensar que jovens como eu partiram para aquele lugar que designo de céu de passarinhos. O que me resta a fazer é orar para Aquele que me sustenta, e dizer para aqueles que eu guardo no meu coração que eu os amo, antes que eu caia da árvore.