Levantei-me da cama eufórica. Sorridente.
Senti pela primeira vez o frescor do vento batendo em minhas costas, sem que o peso de minhas desgraças me privasse de poder correr pela rua. Sim. Pela primeira vez, depois de tantos dias, como se eu mantivesse minha cabeça dentro de uma sacola negra, eu pude respirar novamente a liberdade fantasiosa que privei-me por muito tempo, para poder assumir minhas responsabilidades acadêmicas.
Hoje levantei cantando como um pardal depois da chuva. Preparei um café da manhã especial parecido com aqueles, que os amantes namorados realizam quando completam alguns meses de sei lá o que. Ah... como é indescritível esse sabor. Um chá quente com torradas libertinas... Era tudo o que eu queria...
Sei lá. Não sei mesmo. Mas creio que esses ares burgueses durarão pouco. Eu sinto que quando esse momento chegar, o vento fresco de inverno passará longe de mim, porque daqui uns meses, tudo começará de novo. Ainda bem que já comprei uns bons frascos de dipirona.