Na minha mente passa um filme de amor que nunca mais se repetirá em cinema algum, porque fiz o favor de rebobinar aquela fita antiga, que estava guardada em um cômodo qualquer, de um coração qualquer. Sentimentalista dos românticos arqueiros, flechei com uma brasa quente o meu próprio peito, para curar as artérias e cessar o sangue que um dia juramos que dele, nasceria nossa flor pura.
Deus, o que fazer do homem quando percebe que tudo o que ele jurou, com os seus olhos amendoados, era uma pequena brincadeira de criança? Lembro-me de uma noite, em que sonhávamos planejando o dia de amanhã. Qual roupa vestir, qual escova usar, que batom passar. E nós dois, dois pássaros amarelos, voamos pelo infinito do sentimentalismo, onde duas pedras ocas, se encheram da vida realmente humana...
É bom lembrar das peripécias amorosas da nossa pequena peça teatral vital. É bom lembrar que um dia, essa pedra mucosa já respirou ares de Paris. O que me conforma, são os tombos da sarjeta após o bar, mas essas danças alcoólicas não são pra você e nem por você. São para mim, lembrar, que um dia, um dia desses ensolarados de verão, meu coração já foi de alguém.