<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/platform.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar/2764494993602871782?origin\x3dhttp://alegoriadossignificantes.blogspot.com', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>

Uma data do ano


Eu não preciso de um dia do ano para comemorar a minha cor. Eu não preciso de uma data específica para relembrar a humanidade, das atrocidades nas quais fizeram com vários povos de minha cor. O fato já grita por si, a história não permitirá que o fato seja apagado. A minha própria existência não deixará que esse fato seja esquecido, porque em minhas veias perpassa sangue de reis, de rainhas. No meu sangue está miscigenado a história de Luther King, Malcon X, Zumbi dos Palmares. Tia Eva.
Em todo o meu corpo, em cada grão de melanina da minha pele, a história de meus antepassados escravizados eu carrego pelas ruas de minha cidade. Eu não necessito de um dia para relembrar quem eu sou. Eu não necessito de um dia para bater no peito e dizer que me orgulho de ter a cor da terra que frutifica. Eu faço isso todos os dias. Minha alma sabe e reconhece esse valor de cor azul anil.
Eu defendo minhas ideias como uma leoa que defende sua prole. A igualdade começa a partir do momento em que não se existe um dia para cada etnia. Nós não precisamos de dia do índio, dia do branco, dia do amarelo, dia do negro. Se somos todos filhos do mesmo pai, se somos todos irmãos, se nascemos da mesma terra e dessa terra voltaremos para virarmos pó, qual a necessidade de destacar um dia para uma raça? Um dia a mais ou um dia a menos não irá amenizar os estralos dos chicotes, não apagará as lágrimas das mães ao serem separadas de seus filhos. Um dia no ano não apagará da memória da história os cabelos raspados para nossos irmãos não se reconhecerem entre si, nem nos fará esquecer de muitos irmãos que morreram durante longas viagens para viverem em condições animalescas. Um dia a mais ou um dia a menos não limpará o sangue vivo e de cheiro forte do tronco. Nem aliviará a culpa perante a história.
As fatalidades de nossos irmãos nunca serão guardadas em uma gaveta para ser esquecidas. Não se depender de mim. Porém, em meu corpo se manifesta a roda de capoeira, os sorrisos das negras dançando, sensualizando com seus vestidos de algodão, a partir do simples gesto de erguer a barra da saia com suas mãos para não pisarem nas mesmas. Como isso seduzia os sinhô que observava da janela do casarão... Em meu corpo se manifesta as mãos ágeis que preparavam o almoço para a senzala. Feião preto, resto de carnes. Nossa famosa feijoada. Em meu corpo se manifesta a força dos homens, a coragem de reis, a honra semelhante a dos gregos. Eu sou o negro, o branco, o mulato, o amarelo, o indígena. Eu sou a história. Eu sou humana, e não necessito do 20 de novembro, porque todos os dias, eu sou 20 de novembro.



Alegoria dos significantes

Angela Batista, 19. Tenho todos os anos do mundo, ao qual não sinto necessidade de revelar. Aprecio sorrir para um gato na rua, molhar-me junto com meus cadernos na chuva, rir quando é para chorar e sofrer quando tenho que sofrer. A arbitrariedade da vida me fascina, assim como o cheiro dos pés de laranjeiras. Sem rodeios, sem discurso poético, seja bem vindo, as minhas alegorias.

Relacionados

links go here.
Facebook

Caixa alegórica - posts

maio 2011, fevereiro 2012, outubro 2012, novembro 2012, dezembro 2012, janeiro 2013, fevereiro 2013, março 2013, abril 2013, maio 2013, junho 2013, julho 2013, setembro 2013, outubro 2013,