Se eu tivesse um peixinho, o abraçaria como o mar. Cantaria para ele como quem serenata os passarinhos. Esquentaria a cama para não morrer de frio. Faria café bem cedinho, para acordá-lo com o cheiro de vida.
Se eu tivesse um peixinho, lhe daria um aquário do tamanho do nada, já que o nada equivale a tudo, e o tudo, também pode se proporcionar ao nada.
Se eu tivesse um peixinho, sussurraria em seu ouvidinho, coisas que carrego no peito, aos quais fico vermelha ao cogitar a ideia de exteriorizar sobre o frio que dá em minha barriga. Se eu tivesse um peixinho o acordaria com um beijo de bom dia. Passaria o m(s)eu xadrez favorito, só para mostrar a vizinhança que possuo o animalzinho mais belo. O que é o belo para você? Para mim, a resposta seria o meu platônico peixinho, que deve estar a procura, do aquário que tenho preparado desde o momento em que a vida me fez despencar da mais alta arvore do campo.