Meu Deus, estou me apaixonando, e não sei se isso é bom. Quando paro para pensar em meu coração, que balanças quando enxerga teu rosto de longe, eu tenho medo. Medo de sentir o que eu sinto. Medo de cair na realidade. Meu Deus, estou me apaixonando e tenho medo disso. Tenho medo de não saber se alguém já sentiu o que eu sinto, se já cheirou o que eu cheirei. Se já gritou o meu grito. Se já chorou o meu discurso.
Meu Deus, estou apaixonada pelo demônio, mas é o (meu) demônio que corrói o meu vestido, o meu batom, os meus sapatos. Estou apaixonada pelo homem que me faz sentir o desespero da gritaria desse sentimento absurdamente humano. Deus, isso é errado. Não, isso é incerto. Mas isso me deixa feliz, mesmo que no campo da incerteza não surta nem uma rosa. Talvez nasça algum broto. Talvez eu continue nessa estrada, para saber onde termina o horizonte, mas enfim.
Deus meu, eu me apaixonei.