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Confusão

Em pouco tempo, muito menos tempo em que se possa imaginar, o que era quente se torna frio; o que era bom, deixa de existir; o sorriso torna-se tão raro quanto um camaleão negro. Estou aqui, a dar voltas e voltas com as palavras, a imaginar um balé repleto de tules com os acentos circunflexo de minhas palavras favoritas. Não sei onde pretendo chegar com meus pensamentos. Realmente, não sei. Na verdade, admito que sei, mas acredito que não sei como discorrer. Para falar a verdade, eu sei como discorrer sobre, mas algo grita perante meu peito para que eu deixe na tormenta o que me atormenta.
Se eu pegasse o caminho a direita, talvez eu chegue mais rápido a algum lugar seguro, mas se eu for pela esquerda, talvez encontre alguém, entretanto, eu posso caminhar por entre os matagais, para polpar tempo. E se? Tem algo errado nesta soma, ou subtração? Não sei, não consigo observar corretamente o que se passa em minha mente. Espera, estou enxergando. Estou vendo! Estou vendo! Não. Não... Enganei-me. Era apenas um cachorro nos escombros, ou melhor, um rato. Mas olhando melhor, esse rato está mais para um homem. Quem é esse homem? Não sei.

Alegoria dos significantes

Angela Batista, 19. Tenho todos os anos do mundo, ao qual não sinto necessidade de revelar. Aprecio sorrir para um gato na rua, molhar-me junto com meus cadernos na chuva, rir quando é para chorar e sofrer quando tenho que sofrer. A arbitrariedade da vida me fascina, assim como o cheiro dos pés de laranjeiras. Sem rodeios, sem discurso poético, seja bem vindo, as minhas alegorias.

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