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García

Lá está García. Caminhando por entre as pedras enveredadas do vale obscuro do teu ser, tentando encontrar nas inúmeras portas de um corredor vazio, a felicidade que pensas que existe.

 Como é triste observar, García procurando nos abraços apertados o calor que não recebestes quando sua musa lhe deixou na batalha. Oh Zeus, porque não protegestes García das garras perspicazes do amor maligno quando este, lhe invocou com todo o ar que preenche teu pulmão poroso? Oh Zeus, vês García se arrastando pelas casas vermelhas de músculos fortes, agitados, ensanguentados, batendo de porta em porta na venda de um produto que ninguém deseja adquirir!
Seu nome é García. García encontraste um traste de duas faces, correspondente ao amor platônico e a ignorância perante ao público. García está aos poucos vendendo a esperança que lhe roubou de Pandora para o traste que encontraste, mas, em apenas um gesto, o coração de García foi negado novamente. 
Lá vai García... Se arrastando pelos trilhos do trem da vida, deixando um rastro de lágrimas chuvosas por onde quer que passe seus pés. García é um homem que já sofreu todas as desgraças prevista pelos deuses do Olimpo. García é um homem bom, porém,  não o suficiente para as donzelas de cabelos ruivo, que desfilam pelos vales mostrando vossos dotes para os pretendentes de bom bolso.
E assim vive o desgraçado García, se satisfazendo de carniças que encontra pelas tavernas. Comendo farelos de pão para satisfazer por uns dias a dor que carregas em uma mala de pano costuradas com fios de chumbo. Vês! Lá está García, aquele que desistiu de se entregar para os sorrisos marotos e enganadores das noites profanas. E assim prossegue, o mal amado García.

García é um homem que não foi abençoado pelas mãos rosadas de Afrodite.

García não é um homem.
García não é um animal
García é uma mulher.

Logo, sou eu.

Alegoria dos significantes

Angela Batista, 19. Tenho todos os anos do mundo, ao qual não sinto necessidade de revelar. Aprecio sorrir para um gato na rua, molhar-me junto com meus cadernos na chuva, rir quando é para chorar e sofrer quando tenho que sofrer. A arbitrariedade da vida me fascina, assim como o cheiro dos pés de laranjeiras. Sem rodeios, sem discurso poético, seja bem vindo, as minhas alegorias.

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