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  Tomo um gole do meu chá.
  Passo a contemplar a vela que ilumina um cômodo da minha casa. Escrevo torto e feio no papel, pois não enxergo perfeitamente bem as linhas.
  Lá fora toca o pagode, de um rádio de pilhas do meu irmão. Esse som não me agrada.
  Sinto um calor que vem a me consumir. Poderia ser o calor proposital do verão, ou o calor da vela. Mas meu chá de Cidreira me faz transpirar.
 Só nessas instâncias para a família se reunir. Somente assim para elas se livrarem dos capacetes tecnológicos, sendo os mais eficazes : Televisores com assinatura e computadores com internet.
  Houve uma queda de energia na minha rua. Enquanto muitos pedem, rezam, imploram para não sei quem que a energia volte, eu, pelo contrário, rezo para a dona energia tome umas 5 horas de descanso. Agora, todos recorrem à velha vela, que a maioria tem guardada na gaveta da cozinha, assim, como a minha mãe. O jeito, é recorrer a vela do batismo, a do antigo aniversário, ou aquela vela comum, que está ali só por está; para iluminar os cômodos que estão no breu, evitando que um pobre coitado bata o mindinho em um móvel não avistado.
  Só agora, a coitada vela toma valor novamente. Além de ser prestação de homenagem para defuntos, luz para bolos, sinal que Cristo está por perto (e dentre outros), hoje, a vela está iluminando o interior das casas. Quanta importância! Assumir o lugar da majestosa lâmpada...
  Devido à luz da minha nobre companheira ter diminuído, passo a sentar-me à mesa para escrever melhor. Como o ambiente fica lindo.
  Imagino-me conversando com um lindo pretendente, sob à luz da minha amiga ilustre. Comemos algo que não sei, e logo após ele segura a minha mão e recita lindos versos de Shakespeare. Eu estou usando um lindo vestido branco com rendas, levemente decotado, o que desenha meus seios. Uso um colar simples no pescoço.  Meu modelito lembra muito as vestes das mulheres do século XVIII. Não parei para pensar se somos casados ou não, mas agora, sinto que algo vai acontecer. O seu rosto perfeito se aproxima do meu e me hipnotiza. Vejo perfeitamente o oceano de seus olhos. Seus lábios estão vindo encontrar os meus. Seguro delicadamente o seu rosto, e agora vamos nos...
  Bem, infelizmente aconteceu o que eu temia, então não poderei terminar esta crônica. A imponente luz voltou e não quero dedicar essa escrita para tal senhora. Meu pequeno romance, morrerá, a partir do momento em que eu encostar meus dedos úmidos em minha amiga ilustre e me despedir dela ao voar com seu traje branco pelo ar.
  Minha pequena história, morreu ao eu apagar a vela.



Alegoria dos significantes

Angela Batista, 19. Tenho todos os anos do mundo, ao qual não sinto necessidade de revelar. Aprecio sorrir para um gato na rua, molhar-me junto com meus cadernos na chuva, rir quando é para chorar e sofrer quando tenho que sofrer. A arbitrariedade da vida me fascina, assim como o cheiro dos pés de laranjeiras. Sem rodeios, sem discurso poético, seja bem vindo, as minhas alegorias.

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